Videocast: o público passou a assistir tanto quanto escuta

Foto em preto e branco de uma sala preparada para a gravação de um videocast: duas poltronas vazias frente a frente, uma mesa baixa com dois microfones em braços articulados e a luz da janela desenhando sombras no piso. Imagem gerada por IA.

5 min de leitura

No Brasil, o vídeo já faz parte da forma como o público descobre e escolhe o que acompanhar. Os levantamentos da Edison Research e os números das plataformas mostram até onde esse movimento chegou: nos Estados Unidos, quem acompanha podcast toda semana passou a assistir aos programas na mesma medida em que os escuta.

Dados que explicam esse movimento

No relatório The Podcast Consumer 2026, publicado em 4 de junho de 2026, a Edison Research at SSRS pergunta a quem acompanha podcast toda semana nos Estados Unidos, com 13 anos ou mais, se alguma vez escutam podcasts só em áudio e se alguma vez assistem com atenção a videocasts. No terceiro trimestre de 2025, o vídeo passou à frente pela primeira vez: 82% assistem a videocasts e 78% escutam podcasts só em áudio. No primeiro trimestre de 2026, os dois grupos ficaram praticamente empatados, com 80% no áudio e 78% no vídeo.

Os dois números somam mais de 100% porque a mesma pessoa pode responder sim às duas perguntas, e a maioria faz os dois. Em 2023, a distância era maior: 89% escutavam podcasts só em áudio e 73% assistiam a videocasts.

A força dos números

O The Infinite Dial 2026, outro estudo da Edison Research at SSRS, feito em janeiro de 2026 com 2.050 pessoas de 12 anos ou mais nos Estados Unidos, mostra a mesma sobreposição por outro ângulo. Entre as pessoas de 12 anos ou mais, 57% já escutaram e também assistiram a um podcast, 21% escutaram sem relatar ter assistido e 2% assistiram sem relatar ter escutado. No mesmo levantamento, 58% consumiram um podcast no último mês, o maior índice da série. Na medição trimestral da Edison (quarto trimestre de 2025), 39% de quem acompanha podcast toda semana, com 13 anos ou mais, usa mais o YouTube para isso, à frente do Spotify, com 20%.

As plataformas medem o mesmo movimento em escala mundial. O YouTube informou em fevereiro de 2025 mais de um bilhão de espectadores mensais ativos de videocasts, dado de janeiro daquele ano, e mais de 400 milhões de horas de videocasts assistidas por mês em 2024 em aparelhos da sala, como a televisão. O Spotify informou em maio de 2026 que mais de 500 milhões de usuários já reproduziram um videocast na plataforma, quase 50% a mais que um ano antes.

E o que isso representa para o Brasil

No Brasil, o dado público mais próximo é um relatório da Edison feito em 2024 com 1.024 brasileiros, divulgado pelo YouTube Brasil e pela Tela Viva. Ele mede a descoberta, o tempo e a importância do vídeo; a divisão entre assistir e escutar, medida nos Estados Unidos, ainda fica sem equivalente aqui.

Segundo esse estudo, 81% de quem acompanha podcast toda semana no Brasil usa o YouTube para encontrar programas novos, à frente do Instagram, com 48%, e do Spotify, com 46%. Entre eles, 67% dos que têm de 35 a 44 anos e 63% dos que têm de 25 a 34 anos acham importante que o programa tenha vídeo.

O tempo também é maior: o brasileiro passa em média 11 horas e seis minutos por semana ouvindo ou assistindo podcast, contra sete horas e 34 minutos nos Estados Unidos. E 79% costumam ouvir ou assistir em casa, com o smartphone como aparelho preferido de 61% e a smart TV de 18%.

Por que a imagem importa para quem assiste

Quem assiste com atenção lê a cena enquanto escuta a conversa.

Quem fala: O rosto, a postura e o olhar entre quem pergunta e quem responde chegam junto com o conteúdo e passam a compor a credibilidade de quem apresenta.

O cenário: O espaço, a paleta e a luz dizem algo sobre o programa antes da primeira fala. Na televisão da sala, esse cenário aparece grande, com cada detalhe à vista.

A regularidade: A mesma paleta, a mesma luz e o mesmo ritmo de um episódio ao seguinte dão ao espectador um padrão para reconhecer o videocast.

A ideia central

“Quem assiste com atenção lê a cena enquanto escuta a conversa.”

O que muda para quem está produzindo

Com a maior parte do público assistindo e escutando, a imagem entra na decisão do formato desde o primeiro episódio, junto com o tema e o convidado. Cenário, luz e enquadramento passam a ser decisões que se repetem a cada gravação, e a repetição dessas decisões dá identidade ao videocast.

Quem publica só em áudio fica de fora do lugar onde o público procura programas novos: no Brasil, 81% de quem acompanha podcast toda semana usa o YouTube para encontrar o próximo programa.

Para levar

Nos Estados Unidos, 82% de quem acompanha podcast toda semana assiste a videocasts, e 78% escuta só em áudio (terceiro trimestre de 2025 (Edison Research). A soma passa de 100% porque a maioria faz os dois.

57% das pessoas de 12 anos ou mais nos Estados Unidos já escutaram e também assistiram a um podcast (The Infinite Dial 2026).

No Brasil, 81% de quem acompanha podcast toda semana usa o YouTube para encontrar programas novos, e 67% dos que têm de 35 a 44 anos acham importante que o programa tenha vídeo (Edison, estudo de 2024).

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Fontes

Edison Research at SSRS, The Podcast Consumer 2026, publicado em 4 de junho de 2026. Estados Unidos, consumidores semanais de podcast com 13 anos ou mais (Edison Podcast Metrics, terceiro trimestre de 2025 e primeiro trimestre de 2026). Pergunta: se a pessoa alguma vez escuta podcasts só em áudio e se alguma vez assiste com atenção a videocasts (relatório, p. 30).

Edison Research at SSRS, The Infinite Dial 2026, publicado em 12 de março de 2026. Pesquisa nacional com 2.050 pessoas de 12 anos ou mais nos Estados Unidos, feita em janeiro de 2026 e ponderada pelo censo.

YouTube, blog oficial, 26 de fevereiro de 2025. Dado mundial da plataforma, de janeiro de 2025.

Spotify, newsroom, 21 de maio de 2026. Dado mundial da plataforma.

Edison, estudo realizado em 2024 com 1.024 brasileiros, divulgado pelo YouTube Brasil em 21 de outubro de 2025 e pela Tela Viva em 27 de junho de 2025. Consumidores semanais de podcast no Brasil. O relatório da Edison segue sem página pública própria; o dado foi lido nas duas publicações.

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